Encontrar você por essas ruas tão erradas, foi como sair do piloto automatico e começar a dirigir minha vida novamente. Aquele peito feito de pedra, de repente virou algodão. Algodão doce.
Minha vontade era gritar até que você me ouvisse em seu mundo, era pra ser como eu sonhei a vida inteira. E foi. Foi mais, porque foi no momento em que eu não esperava mais nada de ninguém. E você estava lá, me mostrando muito mais que toda a perfeição em si que eu enchergava, me mostrava mais que os meus olhos podiam ver.
Um dia. E eu já sabia que você podia transformar minha vida.
Uma semana. E eu já daria uma vida pra viver ao seu lado.
Seja como for, com o tempo que for.
É com você que eu sonhei a vida inteira. Vida com gosto de algodão doce.
O problema é que eu não sei o que quero. Não sei o que espero de mim, por consequencia o que esperar do outro alguém. Me atropelo, as palavras me atropelam, as lembranças me pertubam e os fatos passam por cima de mim sem dó. E fico aqui, com dó de deus e o mundo. Com uma multidão de dó de mim mesma. Não sei se quero desenhar, se quero projetar, ou se quero escrever. As vezes não quero nada. Procuro tanto me achar que me perco e decido por fingir que tudo está como deveria estar. Me engano, engano os outros e quem tiver que enganar, pra mostrar que estou bem. Que é isso que eu quero. Que uma vez na vida estou decidida e certa pela escolha que tomei e pelas outras que vou tomar. Engano. Não sei se gosto de branco ou de preto, do azul ou do amarelo, do doce ou do amargo. Horas gosto tanto de todos que horas opto por não gostar de porcaria nenhuma. Desenhar. Escrever. Natureza. Pensamento. Sentimento. Editar a vida com vídeos ou com música ou com arte. Horas gosto tanto dessas coisas que horas opto por não gostar de porcaria nenhuma.
Ouvia um playlist de bob dylan. Pensava na vida, que pela primeira vez, por mais desorientada que ela estaria e com toda aquela amargura, não estava com o mesmo pensamento depressivo de algumas semanas atras. Não sabia explicar o que tinha acontecido, por que afinal não havia acontecido nada. Mas a dor, aquela dor que insistiu por meio ano, não doía tanto. E levava a duvidar daquilo que hoje parece ser assim, que tudo passou. Talvez ela esteja começando a entender que relacionamentos, romances ou qualquer tipo de relação humana ou não, também tem um fim, como tudo na vida. Infelizmente ou muito felizmente. Que por mais que tivesse fudida e mal paga, as coisas acabam e não tem outra opção que se não a de recomeçar e aceitar. Até teria, a de acabar com tudo duma vez, como ela pensou inúmeras vezes escutando as músicas mais tristes do mundo. Mas ela não seria tão corajosa a ponto de se entregar e acabar com sua própria vida. Mais do que tenha acabado com si mesma durante esses cinco meses. Ou talvez pelo contrário, fosse tão corajosa a ponto de se reconstruir. Hoje ela quer ver o sol lá fora, sentir a pele doer do frio que se faz nessa época, pq por um tempo a dor física não significava absolutamente nada. Hoje ela quer poder ser quem ela sempre foi, mas que por um tempo andou perdida por aí. Hoje ela ouvia bob dylan, tomava um conhaque e pensava na vida. E pela primeira vez, durante seis meses, começava a pensar também no amanhã…